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Déjà-vu. FMI impõe austeridade como solução para Chipre

Em Portugal já se conhece a receita, em Nicósia esta começa a ver a luz do dia: despedir 2 mil funcionários públicos do Ministério da Educação e cortar pelo menos 5% nos salários da função pública são duas das medidas iniciais que a troika – Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu – prepara para Chipre, segundo avançou ontem o “Politis”, diário local. Em troca o país receberá um empréstimo de 10 mil milhões de euros para enfrentar a crise em que caiu à conta do seu sector bancário, da exposição à dívida grega e à contracção de toda a zona euro.

O memorando que vai ser imposto ao governo cipriota deverá ser assinado ainda esta semana, de modo que o governo se apresente na reunião do Eurogrupo a 12 de Abril já com algumas medidas em curso que permitam desbloquear a primeira tranche do empréstimo internacional até meados de Maio.

As notícias de ontem sobre os contornos iniciais das medidas que a troika vai receitar para Chipre, e que até admitem que os cortes salariais possam chegar aos 20%, chocam com as declarações do governo de Anastasiades ao longo do fim–de-semana, quando foi assegurado que não haveria despedimentos na função pública – 20% do total da população empregada do país, quando em Portugal representam cerca de 12,5% -, e que os cortes salariais não superariam os 3%.

presidente em xeque Vários escândalos bancários em Chipre têm vindo a ser conhecidos nos últimos dias, envolvendo tanto perdões de dívidas a políticos, empresários e sindicalistas do país como eventuais fugas de depósitos nos dias imediatamente anteriores à decisão europeia de castigar os clientes bancários com mais de 100 mil euros nos dois bancos no olho do furacão. A juntar a isto vai-se conhecendo ainda que, mesmo depois do congelamento de toda a actividade bancária em Chipre, várias centenas de milhões de euros foram “salvos” pelos depositantes através das sucursais estrangeiras dos bancos cipriotas.

A situação que mais polémica tem levantado é a associação da família do presidente cipriota às fugas de capitais do país nos dias imediatamente anteriores à decisão europeia de taxar os depósitos. Segundo a imprensa grega e cipriota, uma empresa detida por familiares de Nicos Anastasiades terá transferido mais de 20 milhões de euros do Laiki para Londres entre 12 e 13 de Março, isto quando os bancos cipriotas fecharam no dia 15 de Março. Anastasiades veio ontem a público negar a informação: “Trata-se de uma manobra difamatória para denegrir empresas e pessoas ligadas à minha família, com o propósito de desviar as atenções dos que têm responsabilidade por terem levado o país à bancarrota.”

Já na lista dos perdões bancários concedidos entre 2006 e 2012, nenhum partido político ou sindicato fica bem na fotografia, todos com vários empréstimos que não pagaram.

in: Jornal i, 2 Abril 2013

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