Efromovich: “São águas passadas. Continuo interessado”

Gérman Efromovich, o empresário que viu a compra da venda da TAPchumbada à última hora, deu ontem uma entrevista em que não só elogiou o processo de privatização da TAP – “do mais transparente que já vi” –, mas também fez o mea culpa pela morte do negócio. O empresário, escusado será dizer, continua interessado na companhia.

“São águas passadas”, salientou à SIC sobre a não concretização do negócio, sintetizando depois que continua interessado, sem dúvida, “mas depende das condições e da demora” no relançamento da venda. “Vai haver uma nova corrida [pela TAP] e nós estamos a preparar-nos para ela, somos teimosos”, assegurou. Um recado que o empresário multinacional já entregou ao governo esta semana, tendo revelado que já esteve reunido com Maria Luís Albuquerque, secretária de Estado do Tesouro, com quem esclareceu os mal-entendidos que levaram à suspensão da venda da TAP. Mas como no mundo dos negócios a pressão faz parte do dia-a-dia, Efromovich não deixou de ditar alguns timings:“Vamos continuar a nossa vida, estamos a ver alternativas na Europa”, disse, apontando “o primeiro trimestre de 2013” como um tempo razoável para esta espera pela TAP. “Se tivermos o privilégio de administrar esta companhia, o povo português não se vai arrepender”, assegurou.

Sobre o negócio cancelado, durante a entrevista o empresário tentou diversas vezes desvalorizar o caso, adiantando contudo que o mal-entendido que levou ao recuo final do governo também se poderá ter devido a um “excesso de formalismos” por parte do Estado. “Entendemos que primeiro faríamos a oferta vinculativa e que dia 27 [ontem] daríamos as garantias, na altura da assinatura do contrato”, explicou Efromovich sobre o negócio que borregou. Oempresário ainda revelou ter investido um milhão de euros no processo de oferta pela TAP.

O governo, quando comunicou o recuo na privatização, anunciou que iria reavaliar o formato de venda, sendo uma das hipóteses a redução do perímetro da empresa que será posta à venda, uma forma de atrair mais interessados. “Nós olhamos para o pacote como um todo”, disse Efromovich sobre essa possibilidade, assegurando que o seu grupo é a “melhor opção” para o futuro da TAP e prometendo fazer da transportadora “a melhor da Europa”. Efromovich lembrou ainda que a Avianca não tem qualquer problema financeiro em avançar com as garantias que o governo disse terem faltado.

O empresário deixou também uma nota para os trabalhadores da TAP, lembrando que quando tomou conta da Avianca esta tinha 4500 trabalhadores, e até hoje não só ninguém saiu como já são 15 mil.

in: Jornal i, 28 Dezembro 2012