Portugueses abandonam transportes e auto-estradas em Setembro

A adaptação aos novos tempos e ao novo custo de vida levou os portugueses a tomarem decisões de mobilidade, optando ou por passar mais tempo em casa ou fugir das portagens. Em Setembro, desapareceram 4 milhões de passageiros nos transportes e 88 mil carros das auto-estradas

De Setembro de 2011 para Setembro deste ano, o desemprego em Portugal disparou de 13% para os 16%, com as sucessivas rondas de austeridade a fazerem disparar o custo de vida, tanto através de aumentos de preços como da contracção do rendimento. Em adaptação aos novos tempos, uma das respostas dos portugueses deu-se na mobilidade.

Esta reacção é visível nas reduções superiores a 11% na procura pelos transportes ferroviários e marítimos do país, mas também através das auto-estradas, cujo tráfego caiu 16%, com menos sete milhões de quilómetros percorridos nestas vias só em Setembro, graças a menos três mil viaturas a andar por dia.

Os dados ontem avançados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos aos passageiros nos modos fluviais e ferroviários em Portugal no terceiro trimestre mostram que em Setembro – mês mais importante do trimestre, com o regresso às aulas e trabalho depois dos períodos preferidos para as férias –, os serviços interurbanos e suburbanos da CP foram procurados por menos 1,5 milhões de passageiros que em Setembro de 2011, com os suburbanos a sofrerem o maior corte: os 11,5 milhões de passageiros no mês de rentrée do ano passado passaram a 10 milhões em Setembro último. Pior foram os registos do Metro de Lisboa, que nem 13,4 milhões de passageiros transportou em Setembro deste ano, depois de no mesmo mês de 2011 ter registado 15,1 milhões – quebra de 12,1%, com menos 1,83 milhões de passageiros nas suas carruagens.

A erosão dos clientes destes modos de transporte também se fez sentir em força nas travessias marítimas, onde a procura recuou 11,1% em Setembro, segundo o INE. Foram contabilizados 2,38 milhões de passageiros contra os 2,7 milhões em Setembro de 2011.

Tudo somado e a reentrée de Setembro dos transportes públicos ferroviários e marítimos fica assim marcada por uma redução total de 11,1% no total de viagens vendidas, que ficaram pelas 31,3 milhões, contra as mais de 35,2 milhões conseguidas em Setembro de 2011 e as 37 milhões em Setembro de 2010.

Menos 16% de tráfego Nas estradas, a somar à crise e ao desemprego há ainda o efeito da subida dos combustíveis. Estes factores conduziram a uma queda média do tráfego nas auto-estradas portuguesas de 16% em Setembro, face a igual mês do ano passado. Os dados do Instituto Nacional de Infra-estruturas Rodoviárias para o terceiro trimestre revelam ainda que a descida média ponderada no tráfego diário na rede nacional de auto-estradas atinge quase os 3000 carros por dia (2934).

Se fizermos as contas ao mês, as auto-estradas perderam em Setembro 88 mil automóveis, face ao mesmo mês do ano passado. Os números reportam-se a 15 concessões rodoviárias, incluindo das antigas Scut que registam as quedas de tráfego mais fortes em termos percentuais. Há apenas uma concessão com a procura a crescer, o Douro Litoral, mas os números são pouco expressivos.

A antiga Scut do Algarve lidera as quedas com variação negativa no tráfego de 44,9%. Esta realidade repete-se na análise por estrada onde a Via do Infante ou A22 sofre a maior descida no tráfego médio diário, em termos relativos. Já em termos absolutos, a maior talhada no tráfego médio diário verificou-se na A5 (auto-estrada de Cascais), onde o número de veículos recuou 8625 em Setembro. É uma queda de 9,6% na auto-estrada com maior tráfego do país e uma das principais portas de entrada em Lisboa.

in: Jornal i, 28 Novembro 2012