Angola. Isabel dos Santos dá golpe final e já é dona da TV Cabo

Isabel José dos Santos, empresária angolana, comprou a posição de 10,96% no capital da Zon que estava até agora nas mãos da Caixa Geral de Depósitos (CGD). Com a compra deste bloco de acções da dona da TV Cabo, a angolana elevou a sua fatia no capital da Zon para 28,8%.

“Com a compra deste bloco atingimos os nossos objectivos relativamente à Zon”, comentou a propósito do negócio fonte oficial da Jadeium, sociedade detida por Isabel dos Santos. “Pensamos ter sido encontrada a melhor solução accionista para o futuro da empresa e na reafirmação da confiança na gestão e sua continuidade”, disse ainda ao “Negócios”.

A operação ontem oficializada terá custado perto de 88 milhões de euros à empresária, e dá à Zon pela primeira vez um rosto definido em termos de liderança da estrutura accionista da empresa. Se até agora o capital da dona da TV Cabo estava demasiado disperso, fruto do processo que deu origem à independência da empresa, com a cissão do grupo Portugal Telecom, as mais recentes aquisições de Isabel dos Santos, como a compra dos 5% da Telefónica na empresa no início de Maio, a estrutura da Zon passa a ter nesta empresária a evidente accionista maioritária. Isto fica claro com as declarações de uma fonte próxima da empresária ao “Dinheiro Vivo”, dando conta da continuidade de Rodrigo Costa, CEO, à frente dos destinos desta empresa. Os 28,8% de acções detidas por Isabel dos Santos representam quase metade de todo o capital da Zon actualmente em mãos de accionistas com mais de 2% dos votos – perto de 69% das acções. O negócio acabou por impulsionar as acções da Zon, que fecharam a negociação ontem com uma subida de 0,5%, isto quando o PSI20 na sua generalidade perdeu 1,64% do seu valor.

“Aposta na internacionalização” Na altura em que fechou a compra dos 5% da Zon que estavam em mãos da Telefónica, fonte oficial da Jadeium avançou que a estratégia para esta empresa era o mercado internacional: “A nossa visão do futuro da Zon passa por novos projectos de internacionalização em mercados com boas taxas de crescimento e não por eventuais fusões com outras empresas portuguesas”, tendo depois sido noticiado o interesse da empresa em avançar para o mercado venezuelano.

Todos estes reforços feitos pela empresária angolana só foram possíveis depois de os accionistas da empresa terem aprovado a alteração de estatutos da dona da TV Cabo, que no início deste ano ainda proibiam que os accionistas que detinham empresas do mesmo sector tivessem direitos de voto superiores a 10%, se a sua actividade fosse “exercida em Portugal ou no estrangeiro”. Com a alteração, os estatutos só consideram que existe concorrência quando a empresa “actua no mesmo mercado”.

in: Jornal i, 14 Junho 2012