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A Madeira e a educação dos eleitores

Sem hipóteses de levar políticos a tribunal por gestão danosa, a única forma que resta de castigar responsáveis por buracos orçamentais passa pela punição dos seus eleitores. “Ao menos apresenta obra”, ainda dirão alguns madeirenses sobre um líder que deu prioridade a túneis sobre levar água potável a toda a região. Mas apresentar obra com dívidas que outros pagarão é o mais fácil que há. Nada como ter 7/8 milhões de contribuintes a financiar eleitoralismos que levam a reeleições. Será este o racional do fisco? Pagar impostos para reeleger pequenos ditadores que se estão nas tintas para quem paga a obra que os levou a ganhar as eleições? Não me parece. Mas é daqui que vem a necessidade de pôr os madeirenses a pagar as brincadeiras do Sr. Alberto. Porque os “cubanos” ou os “burgueses” do Continente – dependendo de como acorda o Sr. Alberto – estão fartos de pagar as parvoíces de toda a gente: da administração central à administração local, mais a regional, e também as empresas públicas e as empresas municipais e as regionais, etc. A função pública da Madeira recebe um suplemento de insularidade no valor de 2% dos salários? Acabe-se. Desconto de 20% face aos impostos pagos no Continente? Acabe-se – e não é passar de IVA 16% para 18%, é passar de 16% para 23%! E isto não é falta de solidariedade. É o oposto. Para que o bem comum vença é preciso pôr os madeirenses a pagar. Se não há quadro legal – em termos práticos – que permita castigar o Sr. Alberto, e já que ninguém tem coragem de o condenar como merece – Cavaco e Passos estão mais preocupados com a “credibilidade do país” que com o buraco -, castigue-se quem votou nele. Ser eleitor é também pagar pelos erros de quem elegemos, para evoluirmos e votarmos melhor. E isso, na Madeira, não acontece: Jardim quer, a construtora sonha, o Continente paga. E esta lógica entranhou-se na maioria dos madeirenses: “Quero lá saber quem paga, quero é túneis.” Acabar com isto só responsabilizando os madeirenses pelas suas opções. Querem um líder que faz obras sem ter dinheiro? Força, estejam à vontade. Mas paguem-no.

in: Jornal i, 22 Setembro 2011

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