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A indiferença que lhes dá jeito

A campanha assenta como uma luva no momento do país. A dormência dos portugueses e a insensibilidade da classe política para com os mesmos atingiu um máximo histórico. Mas a culpa não é nossa, portugueses. Criticam-nos porque estamos “de costas para a política” mas, no fundo, os políticos é que estão de costas para nós. Porque lhes dá jeito. Assim só falam do que lhes apetece, lançam polémicas sobre temas em que ninguém pensava – já não se fala do IVA – e as suas entourages aplaudem sem questionar. “Muito bem!” Até podiam insultar quem os ouve que a reacção seria a mesma. “Muito bem!”

Assistimos a um verdadeiro spin-off do parlamento para a campanha. Um grupo de pessoas pagas pelos contribuintes – via subvenções – para aplaudir o líder independentemente do que diz. “O que o PSD quer, coloca em causa o esforço dos portugueses”, disse Sócrates. “Muito bem! Ver-da-de!” Pergunto: e os PEC serviram para quê? Foi um esforço que nos pediu e serviu de muito. “Mandem o FMI embora!” diz a esquerda. Sim claro, mandem de volta o dinheiro, não se paguem salários da Função Pública. “Muito bem!” Ninguém questiona. “Sócrates anda a adiar despesas do Estado”, acusou Passos Coelho. Bem-vindo à Terra. Os jornais alertam para isso ainda o PSD evitava falar de ajuda externa para não se comprometer. “Muito bem!”

Agora, como podemos castigar a política por nos ignorar? Se votarmos em branco ou pela abstenção, os caciques votam e decidem o futuro por nós; Se queremos mudar o duopólio (CDS incluído) só encontramos extremistas; Se queremos um PS mais à esquerda, ou um PSD mais ao centro, também não dá porque são os partidos que decidem quem irá a votos, não nós. E quem chega ao poder nos partidos foi quem mais “trabalhou” os caciques. Não quem tem as melhores ideias. Trataram-nos como a pessoa com quem namoram. Tudo bonito no início dos tempos democráticos, depois a paixão foi-se perdendo e agora deu-se o total declínio da relação. Tudo porque se fecharam sobre si próprios e nos ignoraram. E o pior? É que vivemos em 1909 e o divórcio é-nos proibido.

in: Jornal i, 25 Maio 2011

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