Alexis Tsipras e deputados gregos enfrentam hoje nova maratona parlamentar: são 57 medidas e 40 leis para aprovar esta quinta-feira
O acordo para o novo resgate financeiro à Grécia impõe ao governo de Atenas a cedência de poderes e tutelas sobre um vasto conjunto de áreas, económicas e sociais, segundo o texto do acordo, ontem conhecido.
“O governo [grego] compromete-se a consultar e concordar com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional em todas as acções relevantes para se atingir os objectivos do memorando de entendimento”, dita o acordo que os credores impuseram a Atenas. Em questão um resgate avaliado em 85 mil milhões de euros a três anos, que impõe alargadas reformas na economia, saúde, pensões, sistema fiscal e uma longa lista de privatizações e/ou negócios afins – como concessões, captura de comissões sobre exploração de recursos naturais, etc. As reformas que serão exigidas ao sector bancário, por exemplo, serão decididas pela troika e meramente implementadas pelo governo. “As 29 páginas das condições exigidas cedem a autoridade última sobre grande parte das decisões políticas à zona euro”, conforme sintetizam os correspondentes do “The Guardian” em Bruxelas e Atenas.
Grande parte das exigências dos credores terão que ser aprovadas pelo governo grego ainda antes das aprovações do terceiro resgate por parte do eurogrupo e de alguns países do euro, cujas legislações obrigam à votação por via parlamentar deste novo empréstimo a Atenas. Esta é a principal razão para a maratona que Alexis Tsipras e os deputados gregos vão enfrentar hoje: depois de ontem à noite os líderes dos grupos parlamentares terem estado reunidos, esta quinta-feira sobem à discussão e votação pelos deputados 57 reformas de uma vez, inseridas em 40 diplomas a ser aprovados pelos deputados helenos.
Alexis Tsipras, que nos últimos dias tem apontado que “há um plano escondido para redesenhar a zona euro usando a Grécia como desculpa”, espera que todas estas aprovações avancem rapidamente. “Estou e continuo confiante que chegaremos a um acordo e ao empréstimo… que vai acabar com a incerteza económica”, comentou ontem.
Com cálculos que apontam para a existência de 40 a 50 mil milhões de euros “escondidos” pelos gregos nos “colchões”, a normalização e o fim da incerteza são a prioridade imediata do primeiro-ministro, já que não só desbloqueará a banca como dará tempo para respirar.
in: Jornal i, 13 Agosto 2015