As fusões da Carris e STCP com os metros de Lisboa e Porto podem agravar a dívida pública portuguesa em mais de 1200 milhões de euros no próximo ano, pondo também em risco as metas estipuladas pelo governo ao nível do défice. Em causa está a união de duas empresas que não entram nas contas do Estado – Carris e STCP –, com outras duas que já são consolidadas no Orçamento do Estado: Metro de Lisboa e Metro do Porto.
Apesar de tanto a Carris como a STCP apresentarem capitais próprios negativos de 776 milhões e 276 milhões e registarem défices anuais de exploração – muito à conta do alto nível de endividamento e dos custos financeiros que suportam –, ambas conseguiram evitar no ano passado que os seus números entrassem no défice. As regras do INE e do Eurostat ditam que as empresas públicas com receitas próprias inferiores a 50% dos seus custos devem entrar directamente nas contas do Estado, o que no caso destas empresas não acontece. Já os metros de Lisboa e Porto, e pela mesma regra, acabaram inseridos nas contas do Estado, tendo provocado um buraco equivalente a 0,5% do PIB – valor que inclui a Refer – só em 2010. [Ler mais]
in: Jornal i, 31 Outubro 2011