Empresas públicas. Se o buraco é gigante, as regalias também

“A empresa [Carris] manterá uma barbearia devidamente apetrechada, para uso privativo de todo o seu pessoal, inclusive reformados.” Este é um pequeno exemplo dos fardos históricos que as empresas do sector empresarial do Estado carregam consigo e que impedem reestruturações mais aprofundadas que as que têm vindo a ser feitas – especialmente na Carris.

As empresas do Estado, tal como  o i noticiou ontem, apresentam um risco potencial para o Orçamento do Estado – vulgo contribuintes – superior a oito mil milhões de euros. Ainda assim, estas empresas mantêm regalias aos trabalhadores dignas de um Bill Gates.

Segundo os acordos de empresa em vigor, tanto na CP, Metro, Carris ou Transtejo, são pagos prémios por cada dia de trabalho concluído – além do salário –, ou mesmo subsídios de 230 euros mensais caso o trabalhador não falte nenhum dia num mês. Valores que acrescem ao salário e acabam a contar para subsídios de Natal e férias. Por falar em férias: os trabalhadores da Carris têm direito a 30 dias de descanso anual – contando com o direito a tirar um dia por mês para assuntos pessoais -, assim como os do Metro de Lisboa. Nesta última, porém, é preciso cumprir requisitos: se faltar só uma vez no ano anterior e gozar férias fora da época alta, tem então 30 dias.

Ainda nestas transportadoras, há outras regalias que chegam aos reformados, isto além da barbearia da Carris. Tanto a Carris como o Metro pagam complementos de reforma aos seus ex-trabalhadores, de forma a que a pensão seja igual à do último salário recebido no activo – algo que também ocorre nos STCP. Se acha que há um limite a este complemento, desengane-se: há reformados que apesar de terem pensões acima de quatro e cinco mil euros mensais, continuam a receber complementos de reforma pagos pelas empresas, segundo apurou o i – tal situação, contudo, não ocorre nos STCP, cujos complementos estão limitados. [Ler mais]

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Reacção à notícia:

Delegação de dirigentes e delegados sindicais desloca-se à sede da “Sojormedia Capital”

Para protestar contra o artigo do jornal i, no dia 30 de setembro, sob o titulo “ Empresas públicas. Se o buraco é gigante, as regalias também”. Iniciativa do STRUP – Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal.

15:00 – Sede da “Sojormedia Capital” (Campo Grande).

in: Jornal i, 30 Setembro 2011